8. ARTES E ESPETCULOS 12.6.13

1. CINEMA  VIDA LONGA E PRSPERA
2. CINEMA  PAI PATRO
3. MSICA  TANGO, TUBA E TALENTO
4. LIVROS  O MESTRE E A COZINHA
5. LIVROS  O CU  O LIMITE
6. LIVROS  BEM PERTO DA PERFEIO
7. VEJA RECOMENDA
8. OS LIVROS MAIS VENDIDOS
9. J.R. GUZZO  A CHAVE ERRADA

1. CINEMA  VIDA LONGA E PRSPERA
Star Trek no cansa porque o diretor JJ. Abrams  um craque. Em Alm da Escurido, seu golpe de gnio  entregar ao estupendo Benedict Cumberbatch o papel de  vilo seria pouco  encarnao de todas as ameaas. 
ISABELA BOSCOV

     Uma explicao simples para o fato de JJ. Abrams ter sido escolhido para comandar a nova fase de Star Wars, agora que George Lucas vendeu a marca  Disney: ele sabe o que faz. Sua ressurreio de Star Trek, que ele iniciou em 2009 e que nesta sexta-feira prossegue com Alm da Escurido  Star Trek (Star Trek Into Darkness, Estados Unidos, 2013), ilustra as mltiplas capacidades do diretor, notveis individualmente e mais ainda em conjunto. Primeiro, J.J. equilibra o instinto para a inovao com o respeito  tradio, de forma que saiam todos alegres do cinema, os fs e os no fs, os meninos e as meninas.  um craque em casar os personagens aos seus intrpretes; Chris Pine no  o melhor ator do mundo, mas  impecvel como o impulsivo Jim Kirk, capito da Enterprise, e o complemento ideal a Zachary Quinto, o racional sr. Spock. Depois, JJ. tem uma viso e um plano para a srie: comeou retomando o otimismo do seriado original de 1966, e pouco a pouco o vai substituindo por algo mais prximo do mundo em que seus espectadores vivem hoje. Vale dizer, um mundo em que branco e preto se fundem num sem-nmero de tonalidades de cinza  em que no h propriamente viles, e sim ameaas, e no qual no mais se sabe de onde elas vo surgir. Por ltimo, e mais importante, J.J. compreende que as ameaas de dominao mundial (ou supragalctica, no caso de Star Trek) dos velhos viles no mais fazem sentido. Hoje no h imprios querendo dominar, mas loucos buscando destruir. Tudo  pessoal; tudo nasce do ressentimento, do rancor, do sentimento de que injustias foram cometidas e devem ser vingadas. Escolher um adversrio para a tripulao da Enterprise, hoje,  portanto uma tarefa que requer fineza. No primeiro filme, Eric Bana, cegado pelo luto, movia literalmente cus e terras para punir Spock por uma perda familiar. Em Alm da Escurido, estes trs conceitos  adversrio, famlia e perda  ganham novo carter, e mxima potncia, na escolha de uma figura espetacular: Benedict Cumberbatch, o Sherlock Holmes da srie da BBC, s rivaliza na galeria dos viles pop contemporneos com o Coringa de Heath Ledger. 
     No que algo alm do magnetismo os assemelhe. O Coringa ansiava o caos pelo caos; John Harrison, o agente rebelde da Federao que bombardeia a sede da Tropa Estelar e massacra vrios de seus colegas, d sinais de que est cumprindo uma agenda terrorista cuidadosamente estabelecida: ataca alvos simblicos do poder da Federao e ento foge para uma zona perifrica do imprio klingon. Conta no apenas com a inevitvel retaliao, mas com o fato de que qualquer invaso federativa nesse espao ser considerada pelos klingons um ato de guerra. Em fria com a morte no atentado de seu mentor, o almirante Pike (Bruce Greenwood), o capito Kirk se oferece para a misso ao almirante Marcus (Peter Weller). Marcus quer guerra; Kirk quer vingana; e Spock quer dissuadi-lo de executar o inimigo sem julgamento, j que h algo fora de esquadro nesse cenrio: uma sugesto difusa de que a tripulao da Enterprise ignora alguns dos elementos que esto em jogo e no passa de um peo no tabuleiro. O indcio mais urgente de que a Enterprise  uma pea a ser sacrificada  o prprio John Harrison. (E, se algum escapou at aqui de saber qual sua identidade verdadeira, que permanea na ignorncia.) Guerreiro de habilidades excepcionais, mente de brilhantismo incalculvel e personalidade de fora incomum, Harrison , tambm, um homem que parece ter uma reserva apenas perceptvel, mas intrigante, de compaixo: algo ntimo e profundo o move  e comove o espectador e o envolve. Cumberbatch traz para o gnero, assim, uma excelncia infrequente nele. E, se notou que seriedade absoluta no  comum neste territrio pulp, finge muito bem no t-lo notado. 
 improvvel, claro, que qualquer coisa passe despercebida a um ator desse calibre. Desde o nome, um acorde atonal que quase exige partitura para ser pronunciado com o estrondo necessrio, Benedict Cumberbatch carrega suas muitas singularidades  abraa-as, na verdade  como se elas fossem trivialidades. (No incio da carreira, inclusive, cogitou brevemente usar o sobrenome do meio, Carlton; descartou a ideia e foi em frente, e no  de todo improvvel que isso tenha contribudo para torn-lo um ator mais destemido.)  to nico que, em pouco mais de quatro horas em cena, virou objeto de um culto global. Educado numa das escolas mais exclusivas da Inglaterra e em duas universidades, e formado no teatro (e tambm em casa: seu pai e sua me so atores), Cumberbatch, de 36 anos, j havia feito trabalhos superlativos (como o fsico Stephen Hawking em Hawking; como o primeiro-ministro William Pitt em Jornada pela Liberdade: como um esnobe sem escrpulos em Desejo e Reparao) antes de, em 2010, aparecer como uma verso contempornea do detetive Sherlock Holmes numa srie da BBC. A matria-prima  mais do que conhecida e vem sendo explorada tambm por outros dois timos atores, Robert Downey Jr. no cinema e Jonny Lee Miller no seriado Elementary. Mas aqueles trs episdios inaugurais de uma hora e meia cada (uma terceira temporada j est em produo) deflagraram uma verdadeira mania mundial pelo ator alto, de cabelo byroniano, fisionomia estranha e bartono reverberante. A especialidade de Cumberbatch, at aqui, era uma espcie de verso aristocrtica e mais desenvolta do Sheldon de The Big Bang Theory: o sujeito tornado socialmente deslocado, e algo assexuado, pela inteligncia feroz e impaciente. S esse ltimo trao  preservado em Star Trek. Cumberbatch alarga aqui os limites da sua presena, e est pronto para saltar do culto mundial ao interplanetrio. Identificar o ator que pode sozinho transformar um filme  o lance de mestre de JJ. Abrams em Alm da Escurido. Superar essa escolha, ou ao menos igual-la,  o desafio que ele tem pela frente no prximo captulo da srie.


2. CINEMA  PAI PATRO
Will Smith acha que pode comprar uma carreira para seu filho.

     Que pai no gostaria que seu filho tivesse uma carreira garantida? Mas que filho merece que o pai no s escolha seu futuro, como tente compr-lo? To lindo e promissor aos 8 anos, em  Procura da Felicidade (mas j dando mostras de certa aflio aos 12, em Karare Kid), Jaden Smith, filho de Will Smith e Jada Pinkett, tem todos os privilgios, menos o de crescer, errar e acertar sozinho. Agora, aos 14, ganhou dos pais um filme todinho para si, ao preo de 130 milhes de dlares. Mas um filme ruim, que embala numa histria tola os princpios educativos bizarros promovidos pelos Smith, cientologistas enrustidos, e no qual o personagem do menino s vai se safar das armadilhas em seu caminho se obedecer a papai ao p da letra. Em Depois da Terra (After Earth. Estados Unidos, 2013), desde sexta-feira em cartaz, a humanidade teve de abandonar seu mundo e se refugiar numa colnia distante, na qual  ameaada por feras horrendas chamadas ursas. As ursas so cegas (alm de distintamente digitais), mas farejam at o mais nfimo sinal de medo nos humanos. O general Cypher Raige (Will Smith), porm,  invisvel a elas: no tem medo de nada. 
     Na histria inventada por Will Smith e dirigida (se  que o verbo se aplica) por M. Night Shyamalan, contudo, o efeito colateral dessa ausncia de temor parece ser a absoluta falta de humor. Cypher  um pai-sargento que se comunica com o filho mediante comandos e plulas pseudoexistenciais (o perigo  real, mas o medo  uma escolha"). Quando a nave em que ambos viajam se parte e cai na Terra, cabe ao jovem Kitai (Jaden) localizar a cauda do veculo, a 100 quilmetros de onde eles esto, para encontrar um sinalizador e enviar  colnia um pedido de socorro. Cypher, ferido, fica nos destroos, mas dirige cada passo do filho a distncia. Segundo ele, nesses 1000 anos desde que a Terra foi deixada, todas as suas formas de vida evoluram para matar os seres humanos (por qu, se eles no mais vivem nela?). De forma que, quando as comunicaes so cortadas, Kitai acha que vai morrer no planeta inspito  mas ento se lembra das lies que o pai martelou em sua cabea e prevalece. Nos planos do casal Smith, Depois da Terra  a primeira parte de uma trilogia destinada a garantir que seu filho fique em cena pelos prximos anos (a irm de Jaden, Willow, est sendo encaminhada para a outra rea de atuao do pai, a msica). O melhor que pode acontecer a ele, porm,  que o fiasco do filme frustre esses planos, e o livre de enfrentar as pssimas crticas acarretadas pelas ms decises paternas. 
ISABELA BOSCOV


3. MSICA  TANGO, TUBA E TALENTO
Um dos compositores mais criativos do Brasil hoje, Vitor Ramil revisa suas canes em disco custeado por financiamento coletivo.

     Anos atrs, Vitor Ramil recebeu um elogio inusitado. O vendedor de uma loja lhe disse que ele era um dos raros artistas cujos discos eram vendidos lacrados. "O meu pblico embarcava na minha viagem sem ao menos testar se a msica os agradava ou no", comenta. O artista gacho no est entre os lugares-comuns das rdios de MPB. Mas aqueles que o conhecem sabem que seus lbuns podem, sempre, ser levados para casa sem audio prvia. Cantor e compositor  e escritor bissexto, com duas obras de fico, Pequod e Satolep , Vitor Ramil, de 51 anos,  um dos mais criativos nomes da msica brasileira hoje. Suas composies atualizam gneros do extremo sul do continente, como a milonga gacha e o tango argentino, conjugando-os  MPB mais meldica e tradicional  Caetano Veloso e o Clube da Esquina, de Milton Nascimento, so influncias confessas. Suas letras, com um uso denso e elegante de figuras de linguagem e referncias literrias, carregam a melancolia e a dramaticidade dos bons tangueiros (em Ramilonga, o refro ecoa um verso famoso de Poe  "nunca mais"  para falar de uma Porto Alegre que deixou de existir). No foi, portanto, difcil para Ramil reunir uma legio de admiradores dispostos a bancar sua nova viagem. Foi no Ms que Vem, seu novo lanamento, foi custeado por um financiamento coletivo (o popular crowdfunding). Ramil ambicionava 60.000 reais para as despesas de gravao. Conseguiu mais de 84.000. Musicalmente, vale cada centavo. 
     Foi no Ms que Vem  um lbum duplo com 32 regravaes de obras do compositor. Nas prximas semanas, essa reviso artstica ser acompanhada por um songbook com sessenta letras suas. Embora no traga inditas, o disco no cai na mesmice. Ramil aprimora canes cuja produo original ficou datada. Loucos de Cara, uma de suas msicas mais conhecidas, vinha afogada por teclados tpicos dos anos 80. Ramil cortou esses excessos: agora  s com voz e violo. Sapatos em Copabacana traz outra soluo criativa. Ramil buscou um arranjo de tuba (tocada por Santiago Castellani) para refazer as virtuossticas  linhas de baixo de Nico Assumpo, msico morto em 2001. A melodia de Perdo, do lbum Longes, de 2004, citava um preldio de Bach, elemento barroco agora reforado com a participao da Orquestra de Cmara do Theatro So Pedro. Como se a riqueza das composies e arranjos no fosse suficiente, Foi no Ms que Vem conta ainda com a presena de convidados estrelados como Milton Nascimento, Ney Matogrosso, os argentinos Fito Paez e Pedro Aznar e o uruguaio Jorge Drexler. Uma viagem sem zona de turbulncia. 
SRGIO MARTINS


4. LIVROS  O MESTRE E A COZINHA
Duas obras examinam a importncia da culinria no pensamento de Gilberto Freyre, que buscou entender o Brasil a partir de pequenos retalhos do cotidiano.
TNIA NOGUEIRA

     Livros a respeito de escritores e sua relao com os prazeres da boa mesa so vrios. Fruto e alimento do crescente interesse das massas pela gastronomia, h no mercado ttulos sobre as referncias e preferncias culinrias de Ea de Queiroz, Machado de Assis, Marcel Proust e tantos mais; em geral, saborosos por tratarem de autores que realmente capturaram a no to evidente ligao entre o apetite e o esprito em vrias passagens de seus escritos. No entanto, o papel da comida no trabalho do pernambucano Gilberto Freyre, sujeito de dois lanamentos recentes do gnero,  mais que um recurso literrio espordico: a arte culinria, com seus ingredientes, tcnicas e rituais,  fio condutor de vrias de suas obras e um de seus principais instrumentos de anlise da ordem social. Tanto em Gilberto Freyre e as Aventuras do Paladar (Fundao Gilberto Freyre; 428 pginas; 80 reais), de Maria Lecticia Monteiro Cavalcanti, quanto em A Cozinha Pernambucana em Gilberto Freyre (Biblioteca 24horas; 168 pginas; 39,60 reais), de Raul Lody, a comida vem como veculo para que se entendam as ideias do autor. Da serem publicaes antes de interesse do estudioso, mesmo que diletante, de cincias como antropologia, histria ou sociologia do que do gourmet mdio dos tempos modernos  a comear pelo fato de no se tratar de livros de receitas. 
     " uma escolha de Gilberto dar destaque  comida em sua obra", escreve Lody, antroplogo e muselogo, que anteriormente j havia organizado A Mesa com Gilberto Freyre, este, sim, um livro de receitas. " uma maneira de estabelecer as relaes multitnicas e multiculturais que formam Pernambuco." Freyre usou o paladar para entender o Brasil e as muitas terras por onde passou. Mas, como mostra Lody, sem abandonar a observao ampla dos aspectos que cercam a alimentao humana, Freyre tomou o acar como veio principal de suas pesquisas. Estudou as relaes econmicas e sociais nos engenhos de Pernambuco durante o Ciclo do Acar. Em obras fundamentais para a sociologia e a antropologia brasileiras como Casa Grande & Senzala (1933) e Sobrados e Mucambos (1936), desceu a detalhes da vida privada na poca considerados irrelevantes, como o preparo de uma compota de caju ou a decorao do papel do tabuleiro de doces, e chegou  ideia daquilo que chamou de "civilizao do acar", um Brasil onde os conflitos raciais teriam sido adocicados pela mestiagem de sabores nativos, portugueses e africanos. O portugus teria sido seduzido no s pelos corpos nus ou seminus de ndias e escravas, mas tambm pelos sabores alegres dos ingredientes tropicais do Brasil, da sia e da frica que se misturavam em receitas de base portuguesa, como o quindim, o bolo Souza Leo ou a feijoada. 
     Os estudos etnogrficos de Freyre tiveram grande impacto no Brasil e no exterior na poca, mas a sua concepo de uma pacfica miscigenao racial foi (e ainda ) vista como ingnua pelos crticos. A intelectualidade de esquerda, sobretudo, o acusa de analisar a sociedade escravocrata a partir do ponto de vista de sua prpria classe social: a dos senhores de engenho. Seu apoio  ditadura militar tambm contribuiu para que sua obra casse em um relativo ostracismo, ainda que mesmo alguns pensadores ligados  esquerda, como Antonio Candido, continuassem elogiando a originalidade de Casa Grande & Senzala. O centenrio de Freyre, em 2000, deu a largada para uma recuperao de sua obra. Desde ento, foram lanados vrios ttulos reconhecendo a contribuio de sua exaustiva observao de costumes para a compreenso da histria. 
     Nenhum livro, no entanto, apresentou ao pblico um levantamento to extenso dos escritos de Freyre sobre comida quanto Gilberto Freyre e as Aventuras do Paladar. Repleto de longas citaes, o trabalho de Maria Lecticia mostra como os quitutes das negras velhas, os doces preparados em amplas cozinhas abarrotadas de mucamas e sinhs, os bolos feitos por senhoras da sociedade formavam a concepo de mundo de Freyre ou, como ele mesmo dizia, eram "carne de sua carne". Fica claro o imenso esforo de Freyre para documentar hbitos e receitas de uma cultura que via desaparecer diante de seus olhos. No livro Acar (1939), que o prprio Freyre declarou ser uma de suas principais obras, o escritor ensina a preparar doces segundo o que aprendeu nos livros de receitas das avs de seu tempo. Curioso apenas  que, to preocupado que era com o registro de pequenos tesouros privados, Freyre tenha negado propositalmente  posteridade a receita do seu famoso conhaque de pitanga, que, no Solar dos Apipucos, sua residncia em Recife, dizia ter encantado convidados ilustres como o poltico americano Robert Kennedy e o escritor John dos Passos.


5. LIVROS  O CU  O LIMITE
O Domo de Brunelleschi ilumina o feito de um mestre pouco celebrado do Renascimento: o arquiteto que fez a cpula da catedral de Florena  e ps seu ofcio no mapa.
MARCELO MARTHE

     No ano de 1296, ao lanarem a pedra fundamental da Igreja de Santa Maria deL Fiore  a Catedral de Florena , os governantes da cidade italiana iniciavam uma empreitada pica que se estenderia por quase 600 anos. To grandioso que parece estabelecer uma conexo entre o casario florentino e o cu, o edifcio em questo s seria concludo no sculo XIX. A obra foi interrompida por surtos de peste que chegaram a dizimar quatro quintos da populao de Florena. Enfrentaram-se contratempos para transportar em barquetas ao longo do Rio Arno enormes quantidades de materiais como o mrmore da vizinha Carrara. A dificuldade mais monumental, contudo, dizia respeito aos desafios tcnicos do projeto. Nenhum detalhe tirava mais o sono dos patronos da cidade  ento mais prspera e populosa que Roma e Londres  do que a construo da cpula da igreja. Com 45,5 metros de dimetro e uma silhueta alongada que elevaria Santa Maria del Fiore  altura final de 114,5 metros, equivalente  de um prdio de mais de trinta andares, ela conserva at hoje o ttulo de maior abbada do mundo feita de argamassa e tijolos (foram utilizados 4 milhes deles). Uma demanda poltica complicava as coisas: para se diferenciar da catedral gtica da rival Milo, a cpula no deveria ostentar contrafortes externos capazes de garantir a sustentao. A cpula consistia, em suma, num enigma arquitetnico que despertava ceticismo generalizado. Da o escrnio e a descrena diante das ideias lanadas por Filippo Brunelleschi (1377-1446) no concurso que definiria o comandante da obra  disputa vencida, afinal, por ele mesmo. Algo como um av de Leonardo da Vinci ou bisav de Michelangelo, o ourives, relojoeiro, escultor, arquiteto e engenheiro Brunelleschi foi tachado de doido ao propor uma soluo que adicionava mais complexidade  tarefa: a construo no apenas de uma, mas de duas abbadas superpostas. No espao entre elas, uma escadaria permitiria subir at o topo  hoje, encarar seus 463 degraus  um prazer excruciante a que nenhum turista resiste. Heresia suprema: ele afirmava ser possvel erguer a cpula sem o apoio de um gigantesco suporte de madeira, como rezava o bom senso. Sua estrutura seria capaz de se autossustentar mesmo durante o processo de construo. De uma ousadia chocante para seus contemporneos, o feito desse personagem pouco iluminado do Renascimento  resgatado num belo livro que ganha edio nacional treze anos aps sua publicao: O Domo de Brunelleschi (traduo de S. Duarte; Record; 240 pginas: 39,90 reais), do canadense Ross King. 
     Brunelleschi entrou na disputa pelo projeto da cpula depois de passar quinze anos em Roma estudando construes da Antiguidade ao lado de um amigo clebre, o escultor Donatello. Impressionado com edifcios como o Panteo romano, ele retornou a Florena disposto a resgatar a glria arquitetnica do perodo clssico. Essa tendncia se delineava desde o sculo XIV, graas a artistas como o tambm italiano Giotto  projetista do campanrio que faz par com a cpula da catedral. Mas coube a Brunelleschi conferir a devida estatura  arquitetura. "Por causa da reputao dele, a profisso se transformou de arte considerada 'comum e baixa' em ocupao nobre", diz o historiador King. 
     O gnio de Brunelleschi residia em seu domnio da dinmica dos materiais e da matemtica. (Graas a isso, alis, j havia dado uma contribuio valiosa  pintura: ajudou a estabelecer as regras da perspectiva, por meio de um misto de quadro e experimento ptico.) Ele inventou um guindaste capaz de iar as 37.000 toneladas de material do cho ao cume da abbada s com a trao de alguns bois. Mas a maior sacada da obra, realizada entre 1420 e 1436, foi embutir ao longo dos oito lados da cpula nove anis circulares horizontais  referncia aos crculos que compem o Paraso na Divina Comdia de Dante Alighieri. Os anis neutralizam as foras de tenso, mantendo a estrutura suspensa. 
     A faanha fez de Brunelleschi a primeira celebridade da arquitetura.  verdade que ele no tinha l o physique du rle de gal: era feioso e mido. Mas at isso depunha a seu favor: do nanico Giotto ao mal-ajambrado Michelangelo, a feiura era marca distintiva dos mestres renascentistas. Em seu livro sobre a vida dos artistas do perodo, o pintor e bigrafo Giorgio Vasari  que mais tarde seria um dos executores dos afrescos no interior da abbada  inclui o arquiteto entre aqueles que "se esforam por aformosear a fealdade do corpo com a virtude do engenho". Ao pint-lo como um altrusta, porm, Vasari doura a plula. Na verdade, seu exemplo demole a noo ingnua de que grandes artistas so criaturas desapegadas. Paranoico com o risco de plgio, ele fazia seus projetos em cdigo. Irascvel, jogou duro com pedreiros grevistas e acionou o papa para capturar um filho adotivo que fugiu por se sentir explorado. Em outra ocasio, armou uma farsa para humilhar seu rival, o escultor Lorenzo Ghiberti. Inconformado por ter de dividir com ele o gerenciamento da construo, Brunelleschi teria se fingido de doente para jogar no colo de Ghiberti a deciso sobre como tocar a obra. Ao expor a inpcia do desafeto, ganhou mais poder e triplicou seu salrio. Diante do milagre de Santa Maria del Fiore, fica uma certeza: cada florim pago ao genioso arquiteto foi muito bem gasto.


6. LIVROS  BEM PERTO DA PERFEIO
Mais conhecido como romancista, Vladimir Nabokov tambm dominava a narrativa breve, como fica provado em Contos Reunidos, uma aula na arte de contar uma histria.

     Na prxima vez em que voc estiver em uma livraria, no deixe de buscar o volumo dos Contos Reunidos (traduo de Jos Rubens Siqueira: Alfaguara; 832 pginas: 89,90 reais), de Vladimir Nabokov. Abra na pgina 226 e leia o conto Navalha. No precisa nem ser uma dessas livrarias que oferecem gentis poltronas ao fregus: o texto de quatro pginas pode ser lido em p, de uma vez s. Ser  promessa deste resenhista  um momento inebriante. O primeiro pargrafo j arrebata o leitor com a fora expressiva que Nabokov confere  simples descrio fsica do personagem, na qual se explica por que ele fora apelidado de Navalha: "a cara do sujeito no tinha uma tachada", e seus amigos s conseguiam pensar nele de perfil. Militar russo exilado em Berlim por causa da revoluo comunista, Ivanov   este seu nome  ganha a vida como barbeiro. Certo dia, v sentar-se em sua cadeira,  merc de sua navalha, o homem que o interrogou (e, ao que tudo indica, torturou) anos antes, na Rssia. Nabokov introduz detalhes cmicos na cena  a verruga no nariz do torturador  sem nem por isso comprometer sua tenso. H outros 67 contos neste livro, todos conduzidos pela mesma mo de mestre, todos moldados com o preciosismo de estilo (muito bem capturado pela traduo) que no permite uma s frase inexpressiva. 
     O russo Vladimir Nabokov (1899-1977)  mais conhecido como romancista  e com boa razo: 6 o autor de um sucesso de escndalo como Lolita e de  experimentalismos cultuados como Ada ou Ardor, ambos escritos em ingls, lngua que Nabokov, exilado nos Estados Unidos a partir de 1940, fez sua. Este Contos Reunidos que em boa hora aparece no Brasil passou por diversas edies entre 1995 e 2008, cada uma delas agregando mais ttulos inditos em livro. A maioria dos textos foi originalmente escrita em russo e traduzida para o ingls por Dmitri Nabokov, filho do autor. O tema dominante  o universo melanclico dos emigrados russos, dispersos pela Europa e pelos Estados Unidos (mas h at uma aventura em uma selva tropical, Terra Incgnita, na qual figura uma das curiosas paixes do escritor, a caa a borboletas). A veia autocrtica russa ganha uma representao farsesca em Assistente de Produo, com suas conspiraes entre generais exilados em Paris. O protagonista de Nuvem, Castelo, Lago, tambm  russo  mas o conto, de 1937, acena para a escalada de violncia da Alemanha, embora no se fale em Hitler ou nazismo. Em cada um desses relatos, as artes complementares de contar uma histria e compor uma frase chegam perto da perfeio. 
JERNIMO TEIXEIRA


7. VEJA RECOMENDA
CINEMA 
ALM DO ARCO-RIS (AU BOUT DU CONTE, FRANA, 2013. J EM CARTAZ NO PAS)
 A diretora e atriz Agns Jaoui e seu marido e colaborador criativo, o roteirista e tambm ator Jean-Pierre Bacri, de filmes excelentes como O Gosto dos Outros e Questo de Imagem, so mestres num certo estilo muito peculiar ao cinema francs  o da tragicomdia que acompanha as tramas individuais de todo um grupo de personagens. Aqui, Laura (Agathe Bonitzer) confidencia  amiga Marianne (a prpria Agns) que o msico Sandro (Arthur Dupont)  seu prncipe encantado; Sandro, tmido e meio gago, tem uma pssima relao com o pai, Pierre (Bacri), que d aulas de direo a Marianne e tambm confidencia algo a ela: que est apavorado com a possibilidade de que uma cartomante tenha acertado a data de sua morte, prevista para dali a alguns dias. Enquanto isso, Sandro se deslumbra com o convite de um crtico para estrear uma composio sua, sem se dar conta de que Maxime (Benjamin Biolay), o tal crtico, est seduzindo Laura  e por a vai. Agns e Bacri usam esse recurso para explorar um tema central distinto em cada filme: os preconceitos culturais em O Gosto dos Outros, por exemplo, ou, aqui, as idealizaes (amorosas ou de qualquer outro tipo) que afastam as pessoas da felicidade real.

DVD
TESTEMUNHA DE ACUSAO (WITNESS FOR THE PROSECUTION, ESTADOS UNIDOS, 1957. CLASSICLINE)
 Em convalescena de um infarto, o veterano advogado sir Wilfrid Robarts (Charles Laughton, em interpretao antolgica) no deveria aceitar nenhuma defesa muito excitante. Mas no resiste ao caso de Leonard Vole (Tyrone Power), sujeito pobreto e boa-pinta acusado do assassinato de uma solteirona rica  a qual, que coisa incrvel, deixou para ele em testamento toda a sua herana. O nico libi de Vole  sua mulher, Christine, uma alem gelada e empertigada vivida por Marlene Dietrich: e uma verdadeira rede de provas circunstanciais o incrimina. Para tudo, porm, ele tem uma explicao. E, entre o charme do ru e os ardis da raposa velha que o defende, o julgamento vai indo de vento em popa para Vole. Isso at a acusao chamar como sua testemunha justamente Christine, que desmente o libi que dera ao marido. A, ento  e  melhor parar por aqui, j que este clssico dirigido por Billy Wilder sobre uma pea de Agatha Christie vai sofrer pelo menos trs grandes reviravoltas ainda antes de chegar ao seu desfecho. Um desses prazeres que nunca se esgotam.

LIVRO
O RETRATO DE DORIAN GRAY  EDIO ANOTADA E SEM CENSURA, DE OSCAR WILDE (TRADUO DE JORIO DAUSTER) GLOBO; 352 PGINAS; 64,90 REAIS)
 Dorian Gray, o jovem devasso que conserva a beleza e a juventude enquanto seu retrato ostenta as marcas do tempo e da depravao,  um dos personagens mais conhecidos da literatura vitoriana.  a encarnao ltima de um certo decadentismo esteticista do fim de sculo, que o dndi irlands Oscar Wilde (1854-1900) soube desenhar em prosa elegante. A atmosfera de dissoluo moral da obra foi atacada  poca da publicao, primeiro em uma revista, em 1890, e depois em livro, no ano seguinte. Mais escndalo ainda teria causado a redao original do livro, censurada pelos editores e pelo prprio escritor. Nesta, o componente homossexual da relao entre Gray e seus amigos  elemento da vida do autor, que seria preso em 1895 por "indecncia"  est mais explcito. Nicholas Frankel, professor de ingls da Universidade da Virgnia, nos Estados Unidos, recuperou o texto anterior aos cortes, e tambm adicionou notas que ajudam a contextualizar a histria e indicam suas relaes com a trajetria de Wilde.

DISCOS
NOW WHAT?!, DEEP PURPLE (HELLION RECORDS)
 O quinteto ingls Deep Purple integrou a santa trindade do rock pesado nos anos 70, ao lado do Black Sabbath e do Led Zeppelin. As caractersticas mais marcantes do grupo eram o timbre da Fender Stratocaster do guitarrista Ritchie Blackmore e os solos de teclado Hammond de Jon Lord. Blackmore pediu as contas duas dcadas atrs e Lord, aposentado desde 2002, morreu de cncer no ano passado. Now What?!  o primeiro disco em estdio do grupo em oito anos. O guitarrista Steve Morse e o tecladista Don Airey tomaram o lugar dos dois membros histricos. Falta a Morse a agressividade de Blackmore e o senso rtmico de Tommy Bolin  que integrou o Deep Purple entre 1975 e 1976. Ele compensa essa deficincia com um dedilhado mais refinado, quase prximo ao rock progressivo (estilo que fica evidente em Uncommon Man e no solo de Hell to Pay). J Airey mostra-se um discpulo fiel de Lord. Ian Gillan (vocais), Roger Glover (baixo) e Ian Paice (bateria) no negam fogo. O trio brilha em vrias faixas, como na abertura suingada de Bodyline e em Above and Beyond, um tema pico que reproduz bem a sonoridade do grupo na dcada de 70.

SAMBA DOBRADO: CANES DE DJAVAN, ROSA PASSOS (UNIVERSAL)
 Poucas cantoras renem as qualidades de Rosa Passos. A intrprete baiana  afinada, passa emoo em cada slaba que canta  prova de que entende o que est cantando  e, sendo tambm uma instrumentista talentosa, se faz acompanhar por msicos de alto calibre. Rosa nunca cai no lugar-comum, mesmo quando interpreta um compositor muito conhecido. Samba Dobrado  uma homenagem a Djavan, rei dos barzinhos e das letras incompreensveis. A cantora selecionou treze composies do alagoano, entre sucessos radiofnicos (Ptala, Serrado) e outras menos conhecidas (Pedro Brasil, Cigano). As canes ganham arranjos inspirados no jazz ou no samba-jazz, sem que isso descaracterize o estilo de Djavan  o canto "quebrado" de Rosa em Capim  insupervel. Outra qualidade sua  o talento para fazer emergir novos detalhes de composies de Djavan que fizeram sucesso com outras intrpretes.  o caso de Faltando um Pedao, consagrada por Gal Costa. Na releitura de Rosa, a cano ganhou uma interpretao mais delicada e belas intervenes de flauta de Rodrigo Ursaia.


8. OS LIVROS MAIS VENDIDOS
FICO
1. Inferno  Dan Brown. ARQUEIRO
2. O Silncio das Montanhas  Khaled Hosseini. GLOBO
3. A Culpa  das Estrelas  John Green. INTRNSECA
4. A Marca de Atena  Rick Riordan. INTRNSECA 
5. O Lado Bom da Vida  Matthew Quick. INTRNSECA 
6. Cinquenta Tons de Cinza  E.L. James. INTRNSECA 
7. Cinquenta Tons Mais Escuros  E.L. James. INTRNSECA
8. Cinquenta Tons de Liberdade  E.L. James. INTRNSECA 
9. Toda Poesia  Paulo Leminski. COMPANHIA DAS LETRAS 
10.   O Teorema Katherine  John Green. INTRNSECA

NO FICO
1. Sonho Grande  Cristiane Correa. PRIMWIRA PESSOA
2. Casagrande e Seus Demnios  Casagrande e Gilvan Ribeiro. GLOBO
3. Manifesto do Nada na Terra do Nunca  Lobo. NOVA FRONTEIRA 
4. Um Gato de Rua Chamado Bob  James Bowen. NOVO CONCEITO 
5. O Livro da Psicologia  Nigel Benson. GLOBO
6. O Livro da Filosofia  Vrios. GLOBO
7. Antnio Ermnio de Moraes  Memrias  Jos Pastore. PLANETA 
8. O Castelo de Papel  Mary Del Priore. ROCCO 
9. Subliminar  Como o Inconsciente Influencia Nossas Vidas  Leonardo Mlodinow. ZAHAR 
10. O Livro da Economia  Vrios. GLOBO

AUTOAJUDA E ESOTERISMO
1. Kairs  Padre Marcelo Rossi. PRINCIPIUM
2. Eu No Consigo Emagrecer  Pierre Dukan. BEST SELLER 
3. Casamento Blindado  Renato e Cristiane Cardoso. THOMAS NELSON BRASIL
4. Uma Prova do Cu  Dr. Eben Alexander III. SEXTANTE
5. O Poder do Hbito  Charles Duhigg. OBJETIVA
6. S o Amor Consegue  Zibia Gasparetto. VIDA & CONSCINCIA 
7. A Dieta Gracie  O Segredo dos Campees  Rorion Gracie. BENVIR
8. O Monge e o Executivo  James Hunter. SEXTANTE 
9. Nietzsche para Estressados  Allan Percy. SEXTANTE 
10. O Mtodo Dukan  Eu No Consigo Emagrecer  Pierre Dukan. BEST SELLER


9. J.R. GUZZO  A CHAVE ERRADA
     Os governos do PT perseguem, h mais de dez anos, duas coisas que no existem e por isso, precisamente, nunca conseguiro encontrar nenhuma das duas. A primeira  a fantasia segundo a qual a imprensa livre, que vive expondo seus desastres e conta com a admirao da maior parte do pblico que acompanha o noticirio, perceba um dia que tem pelo menos trs obrigaes. 
     Para comeo de conversa, precisa admitir "controles sociais'", aceitando algum tipo de superviso, ainda no definido, sobre o que escreve, fala ou mostra em imagens, por parte da "sociedade". Alm disso, teria de levar em considerao, por respeito  vontade do eleitorado, os mritos de governos colocados na Presidncia da Repblica h trs eleies seguidas.  
     Enfim, deveria desistir do tiroteio que faz em suas informaes e opinies a respeito da inpcia, da corrupo e da burrice da administrao, em reconhecimento aos fenomenais ndices de "popularidade" tanto do ex-presidente Lula como da presidente Dilma Rousseff. 
     A segunda quimera  que gastando dinheiro pblico para criar e sustentar uma imprensa "a favor", pelos mais variados truques  sua disposio, conseguir anular a voz dos meios de comunicao independentes e levar o jogo, pelo menos, a um honroso empate. Essa busca, como no samba Ronda,  intil, mas o PT, Lula e a sua tropa no desistem: ao contrrio, insistem em encontrar a chave capaz de abrir uma soluo definitiva para seus problemas com a "mdia", como gostam de dizer. Mas perderam essa chave no quintal, e esto procurando no jardim. No vo achar. 
     No h registro na histria de imprensa que tenha mudado de hbitos ou de conduta por causa de discursos, "audincias pblicas", passeatas de estudantes e sindicalistas pagos pelo governo, ou, para resumir, presses da sociedade". Tambm no se conhecem casos de autocrtica, arrependimento ou remorso que tivessem levado algum meio de comunicao, por sua prpria vontade, a mudar de linha na seleo do noticirio que publica ou em suas opinies. 
rgos de imprensa s mudam pela aplicao da fora bruta, o que exige a montagem de uma ditadura, ou em troca de dinheiro, caso em que deixam de ter o valor que tinham e passam a no servir para nada. 
     Nada disso  um dos trs segredos de Ftima. Polticos em primeiro mandato j sabem que a imprensa no se incomoda com ataques verbais, barulho de "setores populares" ou mesmo com o bom e velho empastelamento das mquinas, que hoje se transformou em opo invlida  v algum tentar quebrar, no brao, uma impressora Cerutti 7, ou uma Frankenthal-KBA Commander CL, para ver o que acontece. Ningum est ligando, tambm, para os 101% de popularidade de Lula e Dilma, ou para os boletins do TSE com os resultados das ltimas eleies. 
     Veculos da imprensa livre s tm medo, de verdade, de uma coisa: censura prvia. Por via de consequncia, como gostava de dizer o ex-vice-presidente Aureliano Chaves, o PT tem uma nica pergunta a se fazer: d ou no d para instalar censura prvia  imprensa, televiso e rdio no Brasil de hoje, sem falar na internet? Se chegarem  concluso de que no d, deveriam desistir de ficar procurando a chave no lugar errado e sair atrs de alguma outra coisa para fazer.


